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Shridhar Jayanthi

Preliminary thoughts on legal positivism and the common law

6 min read

Epistemic status: Marginalia on Scott Shapiro's "The 'Hart-Dworkin' Debate: A short guide for the perplexed". This is my first serious reading on the Anglo-American version of legal positivism and, thus, my understanding of the framings used by Hart and Dworkin are those provided by Prof. Shapiro. Unrevised.

I have never been a fan of legal positivism, at least in its civil law version. Not so much because I think it's not workable or because it fails to provide a sound basis for law. After all, modern civil law - at least in the infra-constitutional level - is grounded in positivism: the idea that an unfair law is still the law is a creature that can only make sense due to the existence of a Code. It's an empirical matter: positivism can be the grounds for a workable and sound legal system.[^1]

My issue with positivism comes from its lack of resiliency when faced with authoritarian attacks. I am not sure that you can blame Kelsen for the legal crazyness in Nazi Germany but I think it's not unfair to say that the judiciary, along with all other institutions, failed to parry the attacks. My view was that positivism's obsession with the Code makes it so that any successful attack on the Code becomes self-implementing, since the courts or the government bureaucrats can't fix it. This critique of positivism might be a mere critique of centralized (or at least hierarchical) sources of law. Thus, it is possible that I was equivocating civil law with positivism and actually criticizing the former instead of the latter. This description of common law version of positivism given by Shapiro made me rethink my groundings. However, I still believe that positivism is not resilient to authoritarian attacks, but for different reason.

Shapiro nicely describes an evolving debate between the dworkian and the positivist respective on how we identify the legitimate sources of law, i.e., what are the proper grounds for the rule of recognition. Hart's view is that the rule of recognition relies fundamentally on social facts whereas dworking appears to believe that everything is, fundamentally, a moral judgment. In the civil law tradition, the rule of recognition is given by the code[^2]. By contrast, the common law tradition has a multi-institutional approaches: both legislatures and the judiciary have independent law making roles.

The debate, as narrated by Shapiro, goes like this. Dworkin initially challenged Hart's positivism due to its incapacity to explain why judges sometimes depart from settled law and resort to moral reasoning. The solution to that problem isn't difficult by resorting to a "meta" approach that says that the use of the moral principle is either (1) itself a rule recognized by the rule of recognition and that the importation into jurisprudence is a recognized rulemaking process ("Exclusive Positivism") or (2) not distinct from the use of any rule because a judge would never use a moral principle that does not obey the rule of recognition ("Inclusive Positivism").

The response by Dworkin to theses replies is basically that these responses do not solve the problem made explicit by the fact that judges and scholars have theoretical disagreements. That is, two judges sometimes agree on what the law says and what is the gap needed addressing but they disagree on what to do next. And it's here, in my view, that Dworkin touches on the trouble with positivism. Positivism's approach says that the solution must be found in society, in some manner. Shapiro's approach that addresses this question is successful. The shared social fact is the "legal designers purpose" and the theoretical disagreement is on the issue of what that purpose is.

I think that the idea that this is the norm to be followed is a perfectly fine proposition, in abstract. The problem is that that is just not what judges do. They, instead ask themselves "what is the right thing to do here" and "will the law allow me to do this"[^3]? In fact, dare I say, that is what every rulemaker does. Their purpose, whether a judge or a congressmen, is tailored to a question at hand, "how far can I go to serve a purpose I care about." As such, the "legal designer's purpose" is a fiction. The original US Constitution had a slavery compromise. The civil war amendments appeared to support "separate but equal" in the initial years. And more practically, since the Supreme Court says what the constitution is, they are an important component of the "legal designer" and their jurisprudence is not quite an example of judicial stability.

At heart, the issue that I have with positivism is that it is an attempt at removing the impact of the sociological elements of lawmaking and jurisprudence by pretending that it they are not important, either by claiming it's irrelevant or claiming it's subsumed within the principled stance. In some sense, positivism believes that there are parties in the system that are involved in law finding and others that are involved in law making. In truth, all parties are doing both. In different degrees and constrained by their institutional roles, to be sure. But it is dangerous to think that a judge that is overturning solid jurisprudence did so because the overturning itself, the new rule, or the principle that drove the judge to overturn the rule, that either of these obey the rule of recognition. It is must more likely that the judge did it because they think it's the right thing to do, and the fact that we can rationalize a positive view of what they did just adds a "social fact legitimacy" to something that was a moral judgment call.

[^1]: A fact that many civil law systems have issues is no objection, since most legal system have issues. A system that is unworkable in this sense is one where the grounds create issues that prevent a system from "looking like" there is a rule of law.

[^2]: Or the will of the people, which the code attempts to express, if you prefer a purposivist approach instead of textualist one.

[^3]: Duncan Kennedy, "Freedom and Constraint in Adjudication".

Shridhar Jayanthi

Sobre Crítica de Obras Artísticas e Desconstrução

5 min read

Epitemic Status: rascunho

Quando eu assisti Evangelion da primeira vez, eu não estava enxergando aquilo como descontrução de um gênero. Afinal de contas, fora os programas estilo Jaspion e Changeman na finada TV Manchete e Transformers, eu não conhecia muito bem o gênero "mecha" nem a tradição Anime. Eu assisti e gostei bem dos personagem doido e dos robô gigante e daquela evolução psicológica dos personagens e daquele final DIY onde o público é obrigado a dar sentido à coisa toda. Sem contar que eu tinha uns 16 anos e mal sabia o que era desconstrução de gênero - eu ainda estava começando a entender o conceito de dialética na arte.

Com a presença do Evangelion no Netflix, ocorreram duas coisas que eu meio que esperava: (1) ninguém que já não era fã iria assistir e achar genial e (2) a galera que era fã iria voltar a discutir a obra. No rescaldo desse segundo grupo, eu vi um texto ou tweet, não lembro, que lamentava o Evangelion ser o primeiro anime mecha de muita gente. Por ser uma desconstrução, muito do subtexto de Evangelion iria passar batido pra essas pessoas.

Acho que há algumas observações a ser feitas sobre consumo de arte, gênero e desconstrução. Um consumidor que consome uma obra vai sempre consumir a obra, numa primeira etapa. O apego pelo gênero decorre do prazer no consumo da obra e pela vontade de querer "mais do mesmo" - e aqui eu estou falando daquele apego mais puro mesmo que surge entre o consumidor e a obra. O amor pela obra que surge por questões sociais - peer pressure, hipsterismo, FOMO, etc existe e é forte, mas eu vou fingir que isso não importa nessa análise.

O querer "mais do mesmo" ser direcionado ao gênero às vezes é acidental. Pra mim, o "mais do mesmo" costuma ser direcionado pro autor. Por exemplo, eu gosto bastante do Paul Thomas Anderson e do Stanley Kubrick, autores que não se limitam a um gênero. Mas o "mais do mesmo" também pode ser movimento artístico - pessoalmente adoro qualquer coisa que saiu do surrealismo ou do vaporwave. Às vezes é gosto pela estética mesmo: me amarro em techno ambiental de Kraftwerk a Bonobo.

De toda forma, o gosto artístico nasce do consumo com a primeira obra, mas não necessariamente se direciona pro gênero. Na prática, ele se direciona pro elemento da obra que o consumidor gostou mais. Se ele gostou da comunicação estabelecida com o autor, ele irá querer mais do autor. Se ele ficou deslumbrado com o ambiente construído pela obra, ele irá atrás de mais obras com a mesma estética. Se o fascínio é com o zeitgeist em que a obra se insere, talvez ele se interesse pelos movimentos.

Isso meio que me leva ao segundo ponto. Obras que desconstroem um gênero necessariamente transcendem o próprio gênero. É impossível desconstruir sem ser meta. A desconstrução é pegar um aspecto essencial do gênero e olhar pra ele com olhar de um alienígena que é capaz de falar 'que ridículo.' Segue, portanto, que uma obra desconstrutiva bem feita é uma obra que dialoga com os outros gêneros e, portanto, é uma porta de entrada perfeita pra novos consumidores. Acho que é o meu caso: eu gosto muito de romances que focam na vida interior dos personagens e o fato de Evangelion transcender animes mecha pra explorar essa possibilidade é, provavelmente, o que faz de mim um fã dessa obra.

É esse o problema que eu tenho com o argumento de Evangelion ser ruim pra uma pessoa que não está versada no gênero mecha. Eu concordo que ela irá perder parte do subtexto. Eu mesmo só fui entender algumas sacadas do Evangelion - por exemplo, a questão de que o abandono de Shinji era um comentário sobre a obsessão que os construtores de mecha sempre apresentam nesses desenhos, ou sobre como a sincronização do piloto com o mecha ser uma leitura absurda da identificação que os pilotos de mecha tem com seus robôs - assistindo umas séries Gundam depois de assistir Evangelion. Mas, a rigor, isso não é fundamental. Dizer que uma obra só pode ser consumida se o consumidor estiver preparado para apreender todas as nuances de uma obra é absurdo. Se o charuto é ou não só um charuto, a rigor, não importa pra quem está fumando o charuto. O que importa é se está funcionando pro fumante.

E isso me traz ao último ponto: a relação entre o consumo, a mediação que a crítica faz dessa relação e a forma como isso tá sendo potencializado com mídias sociais. Um ponto que me parece auto-explicativo.

Shridhar Jayanthi

Scammers

2 min read

Hoje eu perdi a manhã inteira lendo artigos sobre Anna Sorkin/Anna Dewey, a garota que deu um golpe em um monte de gente da elite de NYC. Não pude deixar de comparar com os casos recentes de acusações golpes que vieram à tona nas últimas semanas: os casos da Joana D'Arc e o da Patrícia Lélis. Esse último é um que, pra mim, não está claro o que é mentira e o que é real, mas a Joana D'Arc já soltou seu mea culpa e admitiu a falsificação. O caso da Joana D'Arc (nome é destino?) me parece um caso interessante de alguém que, como a Anna Sorkin, começou com uma mentirinha e perdeu o controle da situação. A escala da mentira se tornou monstruosa no caso da Anna, evidentemente. Uma outra observação interessante foi o fato de que eu me peguei concedendo o benefício da dúvida pras duas brasileiras. Dá pra notar bem o processo psicológico que nos leva a baixar a guarda diante de um golpista. Essas pessoas usam uma das partes mais vulneráveis do relacionamento pessoal: a boa vontade. Não é a toa que esses golpes em inglês são conhecidos como Confidence Jobs, né?

Shridhar Jayanthi

Shridhar Jayanthi

Do we have to blockchain twitter?

2 min read

I just saw a blockchain'd version of twitter called peepeth. The idea is interesting: a smart contract deployed on Ethereum keeps track of links to tweets, and the tweets themselves are stored on IPFS. The promise is that of decentralization and, thus, that no one will be able to censor. I don't know the details for implementation - it's odd that they claim no one can remove or delete information when the blockchain is not storing the data. The reason stated for storage of links, instead of storage of the tweets themselves, is that it would save on Ethereum costs, which makes sense.

In that model, friending, unfriending, and posting will have costs too. This is a weak criticism though. If you were doing a blockchain twitter, it would be ridiculous to expect a different way to go. At best, one could criticize the fact that the cost of sharing messages becomes susceptible to fluctuations in the Ethereum exchange rate. But hey, you can't do a DAPP on the blockchain and complain about the costs of using a blockchain. And there are some advantages - the discourse is likely to become more civilized in the internet if the content producers have to pay for spreading their ideas.

The bigger problem for me is that blockchain computation is one in which the memory is never really erased. The blockchain remembers everything, making it really hard to delete things from the internet.* This is a feature in many, many applications, but for a social media application, it's a bug. People need to be able to remove things they said. The right to be forgotten is actually important.

*There are ways of making this possible. If the data stored is encrypted, can be accomplished by deleting the key. With a public/private key infrastructure, every message stored can be signed by the author, committed as encrypted and the public key may be shared.**

**The known markdown plugin doesn't support footnotes. I am new to Markdown, and don't know if footnotes are part of the spec or not. But this is something that needs to be implemented.

Shridhar Jayanthi

Hello world!

1 min read

This is a test.